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Fotografando Pássaros

Natural do norte do Paraná, passei minha infância em contato direto com a natureza, andando no mato, pescando, tomando banho de rio e na minha total inocência, ignorância e despreparo para um convívio sadio com o mundo animal, maltratando os pássaros, caçando e aprisionando-os com a utilização de arapucas.

Aos 12 anos vim para Curitiba com o objetivo de estudar. Anos depois me formei em Física e passei a lecionar nos três períodos, afastando-me totalmente da convivência com a natureza.

No início da década de 90, retomei o contato perdido, fazendo caminhadas pela Floresta Atlântica, visitando cachoeiras e descendo rio de bóia. Numa dessas caminhadas, em 1997, vi, pela primeira vez, uma saíra-sete-cores, no Município de Porto de Cima. Fiquei impressionado com a beleza do pássaro e minha decisão imediata foi fotografá-lo. Munido de uma câmera compacta, fiz duas fotos. Ao chegar em casa, exclamei: “vi uma saíra-sete-cores e fotografei!”. Disseram-me: “Queremos ver a foto”. Curioso e ansioso fui buscar a fotografia: só decepção! Com a foto na mão tive muita dificuldade para encontrar a saíra. Como fotografei um objeto pequeno com uma grande angular e a uma distância de 5m, o pássaro se confundiu com a vegetação. Passei a ser alvo de gozação: “Jorge, onde está a saíra?”.

Em dezembro de 2002, já aposentado e com tempo disponível, comecei a revirar meu baú. E o que surge na minha frente: a bendita foto. Novamente saí à procura da saíra até encontrá-la. Na minha mente surgiram várias perguntas: O que fazer? Como fazer? Que equipamento necessito para fotografá-la com qualidade. Aí teve inicio minha inserção no mundo da fotografia. Comecei a pesquisar. Como professor de Física tinha um bom conhecimento de ótica e do funcionamento teórico de uma câmera. Comprei uma Canon EOS 300 e uma lente 28-200mm e iniciei minha aventura. Como a tele era insuficiente, decidi adquirir um teleconverter 2x que não funcionou. Parti para uma tele 300mm. Somente em junho de 2003 obtive a primeira imagem que me deixou satisfeito. Desejando melhorar, troquei a EOS 300 por uma EOS 5, que me trouxe bons resultados. Necessitando maior qualidade ótica, fiz um grande investimento: adquiri uma tele Canon 100-400mm.  Daí por diante só foi alegria.

Após conseguir bons resultados com a tele, decidi fotografar beija-flores. Novo investimento: macro 100mm e Flash 550EX. Para aprender a congelar o movimento de um beija-flor, utilizei um ventilador e queimei quatro filmes até atingir meu objetivo.

Realizei oito exposições e com frequência perguntavam: – “É digital?”.

De tanto perguntarem, comecei a me preocupar com essa nova tecnologia.

Após muita pesquisa cheguei à conclusão: antes de comprar uma câmera digital necessito de um computador razoável e de aprender tratamento de imagem. Continuei fotografando com filme e cromo, digitalizava as imagens e ia para o photoshop. Somente depois que adquiri confiança é que mergulhei totalmente no mundo digital com uma Canon EOS20D.

Logotiop JK